Andre Metzen


Usabilidade e links patrocinados: uma relação íntima

Publicado em Tendências,Usabilidade por Andre Metzen, 25 de agosto de 2007

Terminei de ler o livro Usabilidade na Web de Jakob Nielsen e Hoa Loranger. O livro é excelente, realmente vale a pena a leitura! Vou tentar explicar aqui um tópico abordado por ele sobre a relação entre usabilidade e links patrocinados e como os sistemas de buscas estão “fadados” a ficar com o lucro proveniente dos esforços de nós profissionais da web:

Hoje em dia é claro a importância de ferramentas de busca na internet. Isso se deve principalmente ao fato de que a maioria pessoas das pessoas recorrem a internet para encontrar uma informação especifica ou com um objetivo bem especifico. Não é uma pratica comum uma pessoa navegar a toa esperando a sorte para que apareça algo que lhe interesse. Portanto, recorremos aos sistemas de busca (Google, Yahoo, MSN Search e etc…) para encontrarmos nossas informações, e seguirmos a trilhas (ou links) que mais se encaixam com o nosso objetivo.

E é ai que entra os famosos links patrocinados. Não há hora e local melhor para expor um anuncio do que um sistema de busca pois é justamente nesse local que o usuário está buscando um produto, serviço ou até mesmo uma informação (imaginem se a televisão pudesse apresentaranúncios relevantes, com base naquilo que você está querendo naquele exato momento!). Isso justifica a eficácia dos links patrocinados.

Esse novo sistema de anúncio funciona de uma forma muito interessante, na qual não vou entrar em detalhes agora, mas podemos descrevê-la como sendo um leilão de palavras-chave, onde uma empresa considera quanto vale pagar para tentar atrair um visitante que está buscando por uma determinada palavra-chave e consequentemente interessado por alguma coisa relacionado a ela. O sistema de busca exibe um número limitado de anunciantes que ofereceram as melhores quantias por aquela palavra. Simples e eficiente!

Assim, a medida que as empresas inteligentes forem observando que o ROI (return on investment) deste sistema é bem acima das técnicas publicitárias que se adequam as antigas mídias, eles passarão a transferir os investimentos para links patrocinados. Isso claramente ia provocar um aumento dos preços das palavras-chaves até um certo limite, por exemplo: se você paga R$ 0,50 por clique em uma determinada palavra-chave, e em média a cada 10 usuários que vieram deste link você consegue obter um lucro de R$ 10,00 fica claro que você está ganhando R$ 1,00 por clique tendo um retorno de R$ 0,50. Logo o máximo que você poderia pagar ao sistema de busca seria R$ 0,99 para que você ainda obtenha lucro (mesmo que ele seja de 1 centavo).

E é ai que entra a usabilidade! Realizando testes de usabilidade, fazendo um estudo de como seus usuários se comportam nele, você poderia aperfeiçoa-lo para que a taxa de conversão (média de visitas que se convertem em lucro) subisse, utilizando o caso acima como exemplo, uma média de R$ 15,00 de lucro a cada 10 usuários. Agora seu lucro seria de R$ 1,50 e o retorno de R$ 1,00. Com isso seriapossível aumentar o valor que você paga por clique na palavra-chave. se o web site de seu concorrente possui problemas de usabilidade e não consegue uma taxa de conversão como a sua, ele não poderá elevar o lance da palavra-chave acima do que ele ganha por clique, caso ele esteja interessado em obter lucros.

Isto levará a uma concorrência por aprimoramento da usabilidade dos web sites, para permitir uma taxa de conversão melhor, consequentemente ter uma margem de lucro maior e por fim poder pagar mais pelo lance da palavra-chave e ficar acima de seus concorrentes nos links patrocinados dos sistemas de pesquisa.

E dessa forma é possível concluir como a usabilidade, em longo prazo, está diretamente relacionada ao valor pago pelos anunciantes aos sistemas de buscas para exibir seus links nos resultados de busca. Quem sai lucrando com isso obviamente são os sistemas de busca que ficam com todo o lucro enquanto as empresas fazem todo o esforço para melhorar seusweb sites.

Será que estamos prontos para sermos mobile?

Publicado em Tendências por Andre Metzen, 11 de maio de 2007

Não sei quanto a vocês, mas eu tenho um desejo incontrolável de possuir todas as minhas informações em qualquer lugar, do modo mais pratico e barato (se possível gratuito). É absurdamente tentadora a ideia de ter acesso a todas os meus documentos, minhas músicas, vídeos e e-mails em qualquer lugar, sem se preocupar com estar gastando horrores em tarifação de dados ou semelhante.

Talvez isso esteja um pouco fora da realidade hoje, mas eu acredito que isso não está longe de se tornar algo tão comum como camera VGA em celular é hoje em dia. Se bobear vão lançar radinho de pilha que tira foto de tão popular que ficou as tais camerazinhas (que por ironia meu celular não tem). Se você não tem camera no seu celular, não fique chateado, é bem possível que nos próximos 2 anos você venha a ter, considerando que em média uma pessoa troca de celular de 2 em 2 anos. E é nessa onda que deve vir a popularização das novas formas de transmissão de dados via celular como W-CDMA, EV-DO, WiMax e etc…

Hoje são mais de 2,5 bilhões de celulares e esse número deve chegar a 3 bilhões até o final de 2007 segundo pesquisa da GSM Association e da consultoria Ovum. Levando em conta esses número, podemos estimar que até o final de 2009, aproximadamente 3 bilhões de usuários estarão de celular novo (ou algo próximo disso, não fiz as contas precisamente) e se essas novas tecnologias se popularizarem (e ficarem acessíveis, é claro) teremos um novo mercado com um crescimento absurdo que é o de consumidores móveis de informação. Esse novo mercado talvez será maior até que o número de pessoas conectadas a internet através de computadores pessoais, devido a praticidade e acessibilidade dos celulares.

E a pergunta é: nós estamos prontos para atender as necessidades desses novos consumidores móveis?

Minha especialidade não é a área móvel, mas acho que está bem claro que em breve deverão surgir novos serviços web para atender a esse mercado, vamos ficar atentos e não vamos deixar as oportunidades escaparem!

Abraços!

A onda agora é compartilhar, e depois?

Publicado em Tendências por Andre Metzen, 21 de dezembro de 2006

Essa é a palavra que eu mais tenho escutado no trabalho, nas noticias e nos blogs. Acho que vou contar a quantidade de referencias a essa palavra no meu agregador de feeds (Netvibes)! Alias, não vou porque o tempo não me permite, mas acredito que daria aproximadamente metade dos posts.

Há pouco estava lendo o post do Henrique Costa Pereira sobre compartilhamento de feeds e olhem que engraçado, ele estava sugerindo que compartilhasse-mos nosso feeds, que não passam de posts compartilhados! Pode parecer maluquice mas é interessante saber o que referencias como ele estão lendo, quem sabe assim a gente não chega mais perto no nível de conhecimento deles! :P

Nessa (r)evolução que vem acontecendo na internet (que muitos chamam de web 2.0) a palavra-chave é share! Em todo lugar que eu vou, todo site que eu uso, todo sistema que eu testo eu a vejo. Essa onda, se não estou enganado, começou com a popularização dos feeds e a partir daí surgiu essa tendência (você compartilha seus links (del.icio.us), seus posts (feeds), seus documentos (Google Docs), sua agenda (Google Calendar) e uma infinidade de coisas que não me vem à cabeça agora) que vem fazendo com que a internet funcione nesse ritmo tão acelerado que ela anda hoje.

Agora estou me perguntando, o que virá após essa onda? Será os sistemas colaborativos? É esperar pra ver…